quarta-feira, 29 de junho de 2016

Entrevista - Nga ( Saiba + Como Ele Surgiu ) '




Foi em Sintra, no quartel-general da Força Suprema – ou na “Kebrada”, como o grupo gosta de lhe chamar – que tivemos a oportunidade de estar à conversa com um dos rappers mais badalados do momento em Portugal. Mesmo no meio de tanto trabalho, NGA arranjou umas horas para nos proporcionar uma tarde bem passada e uma entrevista que, acreditamos nós, revela bastante de um artista que veio do nada, mas que trabalhou muito para chegar ao topo.

H2Tuga – Para quem não conhece a tua história, fala-nos um pouco da tua chegada a Portugal e de como começaste este teu trajeto no mundo do rap.

Eu vim para Portugal com dez ou onze anos com a minha mãe e a minha irmã mais nova. Fomos viver para a Mouraria, em Lisboa, e mais tarde para a Linha de Sintra. Mudámos várias vezes de casa sempre à procura de melhores condições. Na altura, eu não conhecia a zona, era muito puto. Apanhámos o comboio para ver a casa e parecia muito longe para o que eu estava habituado. Mas quando desci nas Mercês, vi bué black people. Na altura estudava nos Anjos e lá não havia muitos blacks. Então, quando eu os vi, soube que estava em casa, tinha bué gajos como eu. E nesse dia foi quando conheci o Masta, porque uma das casas que a minha mãe viu ficava no prédio onde ele morava. Devia ter uns treze ou catorze anos no máximo.

H2Tuga – Enquanto rapper, descreve-nos um dia normal na tua vida.

Eu não tenho um dia de rapper. E digo isto porquê? Porque a minha pessoa é o que eu levo para a minha música. Então é a mesma coisa, não tenho outras rotinas. Eu vou dormir noutro teto aqui perto, porque se partilhasse sempre o espaço com bué putos ia ficar maluco, mas não posso considerar isso uma outra vida porque um gajo acorda e normalmente chegamos aqui [referindo-se à vivenda que partilha com a Força Suprema] entre o meio-dia e as duas da tarde, mais ou menos, mas sem hora de sair. E é assim há anos, mesmo nos nossos outros espaços, em Algueirão, Rio de Mouro, e assim sucessivamente. A maior parte do tempo que os nossos filhos passam connosco tem que ser aqui, por isso eu não sei bem onde está a fronteira entre o rapper, ou o músico, e o homem, até porque estes são os irmãos que eu tenho para a minha vida toda. E fazemos a nossa música juntos. Quando perdemos, perdemos juntos. E quando temos um problema pessoal, enfrentamo-lo juntos. Na Força Suprema é assim. Basicamente, quando não estamos no estúdio, estamos na estrada.

H2Tuga – Quais foram os artistas que mais te influenciaram e que mais ouves?

Os que mais me influenciaram foram Black Company e Boss AC. BIG, falando de nomes fora da lusofonia, é dos rappers que eu mais admiro, porque a cena dele é muito atual, parece que foi feita ontem. Atualmente, oiço o que aparece. Oiço muito Força Suprema… mas antes não ouvia. Há uns anos, eu, o Don G e o Masta tivemos uma discussão, daquelas entre irmãos, e eu disse que o meu grupo favorito não era o meu grupo. Mas hoje digo, com todo o orgulho e com todas as certezas, que é. Eu sei que o que eles estão a dizer nas músicas é verdade porque a maior parte das cenas eu vivi com eles.

H2Tuga – Como vês atualmente o rap em Portugal e quais os rappers lusos de que gostas mais?

Gosto que exista o Dengaz, porque ele mostra-te que é possível viveres da música, só é preciso concentrares-te. Tem que existir um Allen Halloween, e eu curto. Também posso falar de Valete, Sam The Kid e Regula, que é o que eu mais curto. Acho que ele podia ser um dos meus dreads devido às coisas que temos em comum. Estes são dos poucos que estão no ativo de uma forma mais presente, porque há muitos outros no underground e eu não estou muito inteirado, porque raramente saio daqui e só oiço o que me chega. Dillaz e o produtor dele, o Spliff… fiquei maluco com os beats e com tudo o resto. Só que não conheço o suficiente para poder falar muito, mas gosto. Também posso referir o Ne Jah, por exemplo.

H2Tuga – Já que falaste do Regula, participaste num tema com ele, na “Kara Davis Vol. 2 Lisa Chu”, e ele refere-se a ti na faixa “Cabeças de Cartaz”. Achas que vocês os dois podem voltar a trabalhar juntos no futuro?

Ele falou bem no “Cabeças de Cartaz”, é o meu G. E ainda tem uma faixa com o Prodígio. Mas para a cena ser natural não se pode forçar e eu sei que ele está numa fase de correrias, e eu também. E a verdade é que, quando eu estou aqui a criar a minha arte, não penso em nomes. Eu penso é no que falta depois de o som estar feito. Mas, para mim, trabalhar com o Regula, e com tantos outros, seria um grande prazer. Só que tem que acontecer naturalmente.



H2Tuga – O estilo de beats americano é, claramente, uma característica bastante importante de grande parte do teu trabalho. Achas que foi complicado introduzir e dar continuidade a esse registo em Portugal?

A cena dos beats é que eu não tinha ninguém para os fazer, por isso eu tinha que ir ao YouTube. Antes disso, comprava singles e procurava os que vinham com instrumentais. Então, querendo ou não, era aquele o meu som. Depois apaixonei-me pela sonoridade, pelo ritmo.

H2Tuga – Como achas que o facto de teres nascido em Angola, mas teres crescido em Portugal, influenciou o teu rap?

Isso influenciou a pessoa que eu sou. A melhor escolha que a minha mãe fez foi trazer-me para Portugal porque assim levo o bom e o mau dos dois mundos. Eu sou apaixonado pela língua portuguesa. Para dizer o que sinto, o português é mesmo o ideal, porque é uma língua rica. Os americanos dizem “love” em tudo, seja uma cena material ou uma pessoa. Eu não amo cenas materiais, eu curto bué, e em português dá para fazer essa diferenciação.

H2Tuga – Como é que surgiram a Força Suprema e, mais tarde, os Dope Boyz?

A Força Suprema surgiu nas Mercês, Rio de Mouro, onde passávamos a vida, porque tínhamos muito em comum, muitas histórias semelhantes. Andávamos nas mesmas escolas, viemos de África e gostávamos da mesma cena, éramos muito parecidos. Basicamente, a Força Suprema veio daí. Os Dope Boyz apareceram há pouco tempo. Eu e o Prodígio usávamos o nome Dope Boyz porque eu e ele passávamos muito tempo no estúdio, ainda mais do que com os outros. Queríamos cantar em todos os beats do planeta. Como já havia a Força Suprema, nós éramos os Dope Boyz. Depois, o Monsta e o Deezy apareceram na minha vida, não só por causa da música. O Monsta veio porque a mãe foi para Angola, ele deixou de estudar, e não sabe fazer mais nada, a vida dele é a música. O Deezy apareceu porque a família o pôs na rua. E nós não podíamos deixar o gajo sozinho, até porque ele e o Monsta estavam juntos. Além disso, acho que a musicalidade deles ficava bem para dar continuidade aos Dope Boyz, que somos sempre nós os quatro, mas na verdade são mais eles agora.



H2Tuga – Sempre tiveste bem definido na tua cabeça que querias ser rapper ou alguma vez duvidaste que poderias ter sucesso nesta indústria?

Nunca duvidei. Sempre acreditei e é por isso que estou aqui a viver do rap em português em Portugal. E nem sou português.

H2Tuga – Neste momento, a música é uma forma de ganhares a vida. Mas nem sempre foi assim. Houve algum momento de viragem específico no rumo da tua carreira ou tiveste um crescimento mais gradual?

Foi mesmo gradual. Em casa é assim: quando fazes uma cena que gostas e o que tiras dela é prazer, aquilo é o teu hobbie. Quando o fazes e aquilo traz algum, passa a ser o teu trabalho, e em casa já olham de outra forma. Isto sempre foi a minha paixão, mas quando um gajo começou a trazer algum dos concertos na escola, por exemplo, já ficou o trabalho. Dentro de mim não mudou nada, mas fui entendendo o lado da família. Se chegas a casa a transpirar, depois de um show, e deixas algum, a cota vê que o filho trabalha. Mas se chegas a casa a transpirar porque estás fumado e tens fome, então é porque esse gajo anda na má vida. O rap tinha que me dar dinheiro, senão não me ia trazer respeito em casa.

H2Tuga – A Força Suprema teve uma recepção incrível dos fãs na tour que fez em Angola. Nos Angola Music Awards ganhaste os prémios de Artista Masculino do Ano, Artista Mais Popular da Internet e Melhor Rap. Achas que tens mais reconhecimento em Angola do que em Portugal?

Não. Angola é maior e tem mais população jovem. São os jovens que criam a moda. Uma coisa que pegue, seja música ou não, vira moda, e a moda faz barulho. Mas o que eu gosto em Portugal é que, sendo um país europeu, tem uma educação mais fria, mais introvertida. Nós todos temos uma forma diferente de mostrar love, mas em África o people é mais quente, salta mais, mas isso não quer dizer que és melhor músico. Claro que isso influencia no negócio: num país com mais gente, há mais pessoas a pagar, logo recebes mais. Mas não és tu que causas isso, é só o facto de ter mais gente. Por exemplo, se eu for cantar a França, Suíça ou Luxemburgo, há uma grande comunidade lusófona, a casa está cheia, mas para esse país tu não existes. Só existes para os nossos.

H2Tuga – Pretendes chegar com mais impacto a outros PALOP ou achas até que já o conseguiste?

Não, ainda estou no princípio. A minha cena não é criar impacto, é viver da música. E eu acredito que só me vão valorizar quando morrer. Temos exemplos de grandes nomes que já não estão cá entre nós e, hoje, são os maiores. Se o Bob Marley tivesse vivo e tu aparecesses com uma t-shirt de um rasta a fumar uma bula, achas que ias ser bem recebido em casa? Não me estou a pôr na posição de pessoas como ele, mas isto é verdade na arte, na música. Depois de bazarmos, a nossa cena é considerada melhor.

H2Tuga – Estás satisfeito com a visibilidade que o rap te deu ou achas que podes subir ainda mais um “degrau”?

Eu quero é massa. A minha arte não está à venda, ninguém ma deu, não foi um empréstimo. Passei o que passei sozinho, são trinta e três anos aqui a lutar, a viver da música, e é assim que eu sustento os meu quatro filhos biológicos, e isto para não falar dos outros filhos que a vida me deu. Por isso, como artista o que eu quero receber de volta são as palmas e o agradecimento. Esse é o prémio do artista. Como homem, como pai de família, eu quero o kumbu para alimentar e criar oportunidades para mais manos. É isso que eu quero.

H2Tuga – Achas difícil conciliar a popularidade que alcançaste com a qualidade do teu trabalho? Isto é, como fazes para não perder a autenticidade, a tua imagem, que no fundo é aquilo que te define?

Eu acho que as pessoas que estão comigo é que deviam responder a essa pergunta, porque eu sinto-me o mesmo. Mas tenho que tomar outras decisões, até por causa da idade. Mesmo que não fosse músico, certas cenas iam mudar. Quem me conhece, tem uma ideia. Por exemplo, o primeiro som meu que uma pessoa ouve é a falar de festa, então essa pessoa está à espera que todos os dias eu esteja com os copos. Ela não entende que foi um momento e pode ficar desiludida, no sentido em que acha que já não sou o mesmo. Então isso também depende da maturidade da pessoa. O que torna um gajo o mesmo está aqui dentro e eu sinto-me o mesmo, só que com mais maturidade e mais responsabilidade. Se eu tivesse bué milhões, aí… agora, o que nós ganhamos com o nosso trabalho não é para mudar ninguém.



H2Tuga – Como é o processo para arranjarem e trabalharem os beats das vossas músicas?

Temos produtores quase da casa, no sentido em que são aqueles amigos que primeiro mandam os beats para nós e só depois para outros, porque sabem que nós, na maior parte das vezes, os usamos. Isso dá sempre motivação ao produtor. Por exemplo, o Juizcy, no dia em que ele me levou o beat da música “Normal”, foi o mesmo em que eu o conheci, e até gravámos outros sons, como o “Pé no Pescoço”. Depois disso, ele ficou conectado a nós e é como um producer da casa. Nas mixtapes não complicamos, o beat até pode vir do YouTube ou de onde for. Nós encaramos as mixtapes como um ginásio: estás ali a preparar-te para, na altura do álbum, do combate, estares ready.

H2Tuga – Quais as principais diferenças entre trabalhares individualmente e trabalhares num projeto em conjunto com os restantes membros da Força Suprema?

Aqui é um bocado difícil pensar individualmente, a palavra “solo” não existe. Só na fotografia é que estás sozinho. No dia em que alguém gravou um som, os outros estavam lá, no dia do vídeo estávamos todos atrás da câmara. E como é que fazemos? Nós passamos a vida a gravar, mas não nos convidamos uns aos outros. O beat está dado, se tu também sentiste, entras, porque tens algo a dizer. Ou então sentes que aqui ficava fixe uma determinada melodia, ou uma voz masculina, ou até feminina… é assim. Depois, aquela faixa pode estar no teu projeto, no do Don G ou no meu, por exemplo. Essa é uma das vantagens de trabalhar com a família.

H2Tuga – Por que razão deste o nome “Atitude” ao teu mais recente trabalho?

Porque foi a palavra-chave dos meus últimos anos. Foi algo que eu entendi que se não tivesse, estava lixado. Por exemplo, fui enterrar a minha cota, e uns putos queriam tirar fotografias lá no enterro. Não sei como descrever o que senti na altura. Mas também não posso ficar tipo um coitado, porque sou o filho mais velho e estou num momento em que não posso fraquejar, mas sou uma pessoa. E em tudo o que a vida me trouxe, pessoal e profissionalmente, eu entendi que tem que se ter atitude, tem que se saber dizer “não” quando é necessário. Senão, todos os dias o mundo sacode-te, testa-te para ver se és o mesmo, e se tu não tiveres atitude num dia, tudo o que fizeste antes não conta. Além disso, a palavra “atitude” tem sete letras e eu fiz sete faixas, só mesmo para criar algo.

H2Tuga – O que te levou a lançar videoclips para todas as faixas desse EP?

Eu sou fã de videoclips. Tu quando recebes o prato completo, entendes melhor a mensagem. E antes de ser para os fãs, é para mim. Eu até fico a saltar quando me trazem um vídeo de uma música minha. O videoclip do “Normal” deveu-se ao facto de quase todos os putos, quando pensam em rap, sonharem com um vídeo assim, com armas e explosões, mas com um som pesado. E eu tinha que fazer algo assim antes de morrer, para mostrar, a mim e aos outros, que é possível. É muito difícil, mas o videoclip está aí, existe, foi possível.



H2Tuga – Muito se falou, nestes últimos meses, da tua faixa “Normal”. Certamente concordas que é um dos sons mais genuínos que lançaste. No geral, qual foi a mensagem que quiseste transmitir?

Este som foi mais um desabafo dessas situações todas que eu vivi e já falei. Eu não conheço mais ninguém que oiça falar ou tocar e que tenha uma história parecida à minha. Os mais próximos disso são os meus irmãos. Então não é normal, no meio de onde eu venho, por exemplo, ter um estúdio como este onde estamos agora. Eu tinha o sonho de conseguir isto um dia, mas não havia ninguém que me dissesse que era possível, porque eu não vi ninguém fazê-lo.

H2Tuga – Parece ter sido feito um grande investimento nesse videoclip. Podes revelar um valor aproximado dos seus custos de produção?

O “Normal” começou em trinta mil, depois passou para quarenta, mas no final ficou à volta dos cinquenta mil euros. Os outro foram menos. Por exemplo, o “Difícil” custou entre cinco e sete mil euros. No total, o EP custou pouco mais de cem mil euros.

H2Tuga – O que é que te levou a investir tão forte nessa música em específico? Sentiste que estava ali um hit?

Não é questão de ser um hit, foi por ser um desabafo. Eu sentia que o que estava a meter ali era genuíno. Todos os sons são, mas… este fala por si. Foi uma música que me fez trabalhar com muita gente. Deu muito trabalho, foi cara, mas eu não me arrependo. Se voltasse atrás, faria tudo de novo. E tinha que sair no mês de abril, por fazer um ano desde o lançamento do álbum “King”.

H2Tuga – A gravação do videoclip da faixa “Normal” foi um processo demorado?

Foi. Filmámos durante quatro dias, no Porto, mais a edição, que levou algumas semanas. Em comparação com os outros, foi um processo muito mais longo.



H2Tuga – Numa reportagem do jornal “Público”, lançada este verão, os Força Suprema assumiram a vontade de conquistar também o mercado brasileiro. Continuam a achar que esse é um objetivo ao vosso alcance? Desde então notaram alguma evolução?

Sim, só que nós não pensamos em mercado, mas sim em público. Nós queremos o Brasil, é um país que tem bué gente e falamos a mesma língua. Já fomos a Angola um milhão de vezes, estou muito agradecido, em Portugal também, o que é muito bom, estivemos em Moçambique no fim-de-semana passado… mas eu quero ir para o Brasil, conhecer gente. Todas as viagens que fiz na minha vida foram com a música, e o Brasil não ia ser diferente. Não vou lá passar férias, vou lá para cantar, gravar ou fazer qualquer cena relacionada com a música. E no Brasil já temos um pequeno clube de fãs, está no Instagram.

H2Tuga – Então como achas que podem alcançar o sucesso no Brasil?

Primeiro, é continuar a dar carga nos beats, como temos feito. Mas mais do que isso, é com trabalho. Já recebi mensagens, por exemplo, do DJ Caique, e estamos a ver umas cenas com nomes que ainda não vou revelar porque é muito cedo. Mas o nosso trabalho é que é decisivo para o sucesso, não as colaborações com outros. Não pode ser outra pessoa a tornar o teu trabalho decisivo. Pode ajudar, mas tem que acontecer naturalmente, temos que estar todos na mesma vibe.

H2Tuga – Em relação ao futuro, alguma novidade que possas revelar?

Estamos a trabalhar no álbum da Força Suprema, que vai sair no início de 2016. O álbum ainda não está misturado, mas já está em andamento. Está mais ou menos a 60% no que toca às músicas, porque ainda falta o resto para estar pronto. Não temos nenhum vídeo ainda… porque quando eu digo “pronto”, gosto que esteja mesmo pronto. Também estamos ainda a namorar o título, temos uma ou duas opções que ainda estamos a ver.

Fotografia: Diogo Cruz
Texto: Gonçalo Santos
27 Dezembro 2015 / de Gonçalo Santos em Destaque, Entrevistas Nacionais Tags: Entrevista, Força Suprema, nga.


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