A empresária foi nomeada pelo presidente da República de Angola, após ter liderado a reestruturação da petrolífera
Isabel dos Santos foi nomeada para a presidência do conselho de administração da Sonangol, após ter liderado o processo de reestruturação da petrolífera. A empresária angolana, filha do presidente José Eduardo dos Santos, foi nomeada por despacho pela Casa Civil do Presidente da República e acredita que a "cultura de excelência" que pretende imprimir à empresa "permitirá enfrentar com sucesso os grandes desafios que o novo contexto do setor petrolífero coloca à Sonangol" e a Angola.
Em declarações enviadas ao DN, Isabel dos Santos afirma que "a excelência é a nossa melhor defesa e o nosso melhor ataque". E explica que a empresa está em processo de profunda reestruturação. "A nova equipa terá como principal objetivo a implementação do novo modelo para o setor petrolífero angolano e a execução de um programa de transformação" focado na redução de custos e otimização de recursos para aumentar a competitividade do setor petrolífero angolano, bem como em aumentar a rentabilidade da empresa e os dividendos para o Estado, que depende deste setor.
Angola vive desde meados de 2014 uma forte crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra das receitas da exportação de petróleo, recorrendo à emissão de dívida para garantir o funcionamento do Estado e a concretização de vários projetos públicos. Dado o preço baixo do petróleo, nos primeiros três meses do ano o Estado angolano conseguiu receitas fiscais de 1,38 mil milhões de euros, uma quebra de 25% relativamente ao mesmo período do ano passado.
Sonangol reestrutura-se
A direção da empresa vai adotar um modelo de governação dual e terá Isabel dos Santos como presidente do conselho de administração e Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo como presidente executivo (CEO), conforme anunciado pelo Novo Jornal.
A Sonangol, enquanto concessionária estatal angolana do petróleo, vai passar a ter apenas a função de "gestão e monitorização dos contratos petrolíferos" e os direitos sobre as empresas suas participadas vão transitar para um órgão estatal, segundo o modelo de reajustamento da organização do setor dos petróleos, aprovado por decreto presidencial de 26 de maio.
A Sonangol funciona atualmente com pelo menos 17 subsidiárias, mas o maior grupo empresarial angolano, com perto de 10.000 trabalhadores, tem ainda participações em várias empresas e bancos.
Em Portugal, a Sonangol tem participações diretas e indiretas no Millennium BCP e na Galp.
Com a reestruturação surge o Conselho Superior de Acompanhamento do Setor Petrolífero, que será um órgão colegial para gerir a função acionista do Estado nas várias participações detidas pelo grupo Sonangol. Este conselho deverá reportar diretamente ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, segundo o jornal Económico.
É criada também a Agência para o Setor Petrolífero, que integra a administração indireta do Estado e que passa a coordenar, regular e avaliar o desempenho do setor, a preparar e negociar a atribuição dos blocos petrolíferos e a resolução, por via administrativa, de conflitos naquela indústria.
A nova equipa da Sonangol é composta ainda pelos administradores executivos César Paxi Manuel João Pedro, Eunice Paula Figueiredo Carvalho, Edson de Brito Rodrigues dos Santos, Manuel Luís Carvalho de Lemos, João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos e Jorge de Abreu.
Conta também com os administradores não executivos José Gime, André Lelo e Sarju Raikundalia.
O conselho de administração da empresa vai ser composto por "até 11 membros, sendo sete administradores executivos e quatro não executivos", nomeados por decreto presidencial para um mandato de 5 anos.
A comissão executiva agora criada na estrutura da Sonangol terá a "gestão corrente" do maior grupo empresarial do país, "incluindo poderes de gestão necessários ou convenientes para o exercício da atividade da empresa", lê-se no modelo de reajustamento.
Francisco Lemos Maria foi nomeado em fevereiro de 2012 presidente do conselho de administração da Sonangol, sucedendo no cargo a Manuel Vicente, atual vice-presidente de Angola.
A petrolífera apresentou uma queda de 34% na receita do ano passado, face a 2014, registando igualmente uma descida dos lucros na ordem dos 45%, atribuíveis principalmente à queda do preço do petróleo.


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